Entre os dias 07 e 12 de abril, o Memorial Chico Mendes (MCM), em conjunto com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI), realizou as vistorias técnicas finais para a homologação das Tecnologias Sociais de acesso à água e saneamento em Rondônia. A atividade marcou a conclusão das obras da primeira etapa do projeto e a autorização para entrega dos sistemas às famílias beneficiadas.
Ao todo, 163 tecnologias foram aprovadas, com acompanhamento técnico do coordenador do Sanear Amazônia pelo MCM, Willians Santos, e da coordenação geral da ADAI.
A iniciativa é resultado da articulação do MAB que, em 2024, levou ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) as demandas de famílias atingidas pela Usina Hidrelétrica Santo Antônio e pelos impactos da crise climática, buscando garantir o acesso a direitos fundamentais nos territórios.
As vistorias ocorreram nas comunidades de Paulo Leal, Betel e Belmont, onde foram avaliadas 57 tecnologias sob responsabilidade da ADAI, incluindo sistemas comunitários e soluções adaptadas para diferentes realidades do território. Em seguida, a equipe acompanhou a vistoria de outras 106 unidades executadas pelo Instituto Vitória Régia (IVR), nas comunidades de Maravilha e Ramal do Jacu, com destaque para sistemas adaptados às áreas de várzea.
Segundo Willians Santos, o processo foi fundamental para qualificar a execução do projeto. “A visita permitiu acompanhar de perto a implementação das tecnologias, identificar avanços e ajustar pontos importantes, além de alinhar expectativas entre as equipes envolvidas”, destacou.
Um dos diferenciais do projeto é a adoção de energia solar nos sistemas de abastecimento. A ADAI está entre as organizações pioneiras na implementação de painéis fotovoltaicos em tecnologias sociais na Amazônia, garantindo maior autonomia, redução de custos operacionais e sustentabilidade a longo prazo, especialmente em áreas isoladas.
Coordenado pelo Memorial Chico Mendes, em parceria com o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e o MDS, o Sanear Amazônia integra o Programa Cisternas, no âmbito do Novo PAC e do Fomento Rural. A iniciativa prevê o atendimento de 800 famílias em 26 comunidades, com execução dividida entre ADAI e IVR.
Para além da infraestrutura, o projeto também investe no fortalecimento social das comunidades. A metodologia inclui mobilização, cadastramento das famílias, oficinas de saúde e gestão da água, além da formação de equipes locais, garantindo que os próprios moradores tenham autonomia na operação dos sistemas.