Memorial Chico Mendes acompanha ações de fortalecimento do extrativismo no Médio Juruá

Entre os dias 8 e 14 de julho de 2025, a analista de projetos ambientais do Memorial Chico Mendes, Stefanie Sena, esteve no território do Médio Juruá, no município de Carauari (AM), participando de uma missão de campo voltada ao fortalecimento da cadeia de valor de oleaginosas como a andiroba e o murumuru. A visita ocorreu no âmbito de um projeto apoiado pelo Fundo Casa Socioambiental, realizado em parceria com o Memorial e executado pela Cooperativa Mista de Desenvolvimento Sustentável e Economia Solidária do Médio Juruá (Codaemj).

Durante a estadia na região, a profissional acompanhou uma série de atividades desenvolvidas com extrativistas locais, incluindo oficinas de formação sobre manejo sustentável e boas práticas de beneficiamento, além de visitas técnicas a agroindústrias e áreas de coleta. A proposta da missão foi, também, avaliar o uso dos quebradores de coco de murumuru, já instalados em polos estratégicos, e levantar dados sobre a eficiência, produtividade e segurança desses equipamentos, que têm contribuído para reduzir o esforço físico e aumentar a produção nas comunidades.

Para Stefanie Sena, estar em campo foi essencial para compreender os avanços e os gargalos ainda existentes. “A atividade permitiu a identificação de avanços, desafios e oportunidades no processo de manejo, beneficiamento e organização comunitária, reforçando o papel estratégico das populações extrativistas na valorização da sociobiodiversidade amazônica. Fortalecendo a relação institucional com o território do Médio Juruá, e o compromisso com modelos de desenvolvimento que reconhecem e promovem o protagonismo dos povos da floresta”, destacou.

Ao longo da semana, foram realizados encontros com moradores, lideranças e juventudes extrativistas. As oficinas serviram como espaços de troca de conhecimento e valorização dos saberes tradicionais, ao mesmo tempo em que reforçaram a importância da organização comunitária para o fortalecimento da produção local. As visitas às agroindústrias nas comunidades do Roque e de Carauari permitiram observar de perto os fluxos de produção, armazenamento e beneficiamento dos frutos, enquanto as idas às áreas de coleta, guiadas por extrativistas, trouxeram elementos importantes sobre o potencial produtivo e os desafios logísticos enfrentados na floresta.

Um dos principais pontos da missão foi escutar as comunidades sobre suas expectativas, dificuldades e perspectivas. A escuta revelou não apenas a satisfação com os avanços trazidos pelos equipamentos, mas também o desejo de que mais localidades sejam contempladas. Em muitos relatos, ficou evidente que há comunidades com estrutura e matéria-prima suficientes para atender contratos em escalas maiores, inclusive de toneladas, o que demonstra o potencial de expansão da cadeia produtiva.

A presença do Memorial Chico Mendes no território reafirma seu compromisso com a Amazônia viva e com a promoção de políticas que fortaleçam as populações tradicionais, sempre a partir do diálogo, da escuta e do reconhecimento da floresta como espaço de vida e cultura.

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