Oficinas fortalecem comunidades pesqueiras e ampliam debate sobre territórios, política e mudanças climáticas

Nos dias 18 e 19 de dezembro, na comunidade de Freguesia do Bailique, no Assentamento Agroextrativista (PAE) Ilha do Franco, no Amapá, foi realizada a segunda oficina formativa promovida pela Colônia de Pescadores do Bailique, em parceria com o Memorial Chico Mendes, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil (MPP) e o Movimento de Mulheres Pescadoras, Agricultoras e Extrativistas do Bailique (MMB).

O encontro reuniu mais de 80 participantes, entre pescadores e pescadoras artesanais, superando a previsão inicial de 40 a 50 pessoas. Apesar dos desafios gerados pelo aumento da participação, especialmente na logística e alimentação, a avaliação foi extremamente positiva, demonstrando o interesse das comunidades por espaços de diálogo, formação política e acesso à informação.

As oficinas têm como ponto de partida a apresentação das organizações envolvidas e das parcerias construídas na luta pela garantia e soberania dos territórios, bem como pela defesa dos direitos das populações extrativistas e tradicionais. A partir disso, é feita uma abordagem crítica da conjuntura política, social e econômica, tanto no âmbito local quanto nacional, buscando ampliar a compreensão das comunidades sobre as decisões que impactam diretamente seus territórios.

Entre os principais temas debatidos estão os impactos dos grandes projetos na Amazônia, os efeitos das mudanças climáticas, a ameaça da exploração de petróleo na costa do Amapá e na Foz do Amazonas e a importância das Reservas Extrativistas Marinhas como instrumento fundamental para a proteção dos territórios, dos modos de vida e da pesca artesanal.

Durante o encontro, Paulo Mota destacou que o processo formativo tem buscado aprofundar, com sensibilidade e cuidado, a análise do atual momento político vivido pelo país. Segundo ele, as mudanças climáticas já trouxeram consequências extremamente danosas para as pessoas e para o meio ambiente, sem que se vislumbre um retorno positivo desse cenário.

“Entendemos que essa situação tende a se agravar e, para que possamos nos adaptar a essa nova realidade imposta pelas mudanças climáticas, é fundamental aproximar a ciência do conhecimento empírico. É necessário que as organizações de pesquisa e as universidades estudem junto conosco as formas mais adequadas de enfrentar os desafios causados pelas mudanças climáticas”, afirmou.

A atividade integra uma programação de sete oficinas, das quais duas já foram realizadas neste ano.

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