O Programa Sanear registrou avanços significativos no mês de março de 2025, com atividades de mobilização, construção e entrega de tecnologias sociais de acesso à água nos estados do Pará e do Amazonas. As ações fazem parte do compromisso com a universalização do direito à água para populações tradicionais e comunidades extrativistas da Amazônia Legal.
Mobilizações, capacitações e estruturação de entregas
No estado do Pará, o Instituto Vitória Régia, em com coordenação do Memorial Chico Mendes, segue com a implantação de 460 tecnologias sociais de acesso à água em oito reservas extrativistas distribuídas pelos municípios de Altamira, Curralinho, São Sebastião da Boa Vista e Prainha. Em março, as ações concentraram-se no acompanhamento das obras da modalidade SAFISP, mobilizações comunitárias e articulações institucionais.
O mês foi marcado pela intensificação da mobilização nas Reservas Riozinho do Afrísio e Iriri, totalizando 60 comunidades atendidas até o momento. Foram realizadas assembleias, visitas técnicas e cadastros, que resultaram em 415 famílias mobilizadas e 364 já cadastradas no sistema.
A implementação física das tecnologias também avançou. Foram iniciadas 145 estruturas de captação e armazenamento de água (31,5% do total), especialmente nas comunidades de Curralinho, Prainha e São Sebastião da Boa Vista. Contudo, o número de tecnologias completamente construídas ainda é tímido — 125 concluídas — devido a ajustes nos processos de construção e registro fotográfico, ações previstas para serem retomadas com maior intensidade em abril.
Conclusão e entrega de 68 tecnologias na Resex Médio Purus
No Amazonas, sob responsabilidade do Instituto Desenvolver, foram concluídas e entregues 68 tecnologias sociais na Reserva Extrativista Médio Purus, no município de Lábrea. As entregas beneficiaram cerca de 287 pessoas nas comunidades Jurucuá, São Paulo, Sebastopool, Cacau e Acimã.
As tecnologias implementadas foram do tipo Sistema Pluvial de Multiuso Comunitário de Várzea, com SAFISP, com exceção da comunidade Acimã. Durante o mês de março, as equipes atuaram com foco nos acabamentos, instalações hidráulicas e acordos comunitários. Nos dias 26 a 28 de março, uma comissão formada por técnicos do Instituto Desenvolver, Memorial Chico Mendes e da associação ATAMP realizou a vistoria técnica, coleta de termos de recebimento.
O Sanear Amazônia
O programa tem o objetivo de promover acesso à água para o consumo humano em comunidades extrativistas da Amazônia, por meio da disponibilidade das tecnologias sociais “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Comunitário” e “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Autônomo”.
É uma proposta que assegura o abastecimento de água potável para famílias extrativistas de forma direta. O impacto indireto é reverberado por meio da replicação das melhores práticas adotadas para a totalidade da população nas áreas consideradas.
A implantação da tecnologia social no Projeto Sanear Amazônia segue um processo estruturado que envolve diversas etapas. A primeira fase é de mobilização, seleção e cadastramento das famílias beneficiadas, feita por meio de assembleias, reuniões e visitas.
Em seguida, os beneficiários passam por uma etapa de capacitação em duas áreas fundamentais. Na área de saneamento e saúde ambiental, eles aprendem sobre o uso adequado da tecnologia social, a gestão da água, cuidados com o meio ambiente e práticas de saúde que serão impactadas positivamente pelo novo sistema. Já na área de construção dos componentes físicos da tecnologia social, as equipes responsáveis pelas obras recebem instruções sobre a construção de placas e pilares pré-moldados, montagem de banheiros, fossas e a instalação do sistema hidráulico, além de orientações sobre a manutenção da tecnologia para garantir sua durabilidade.
A última etapa envolve a construção dos componentes físicos e a instalação do sistema. Nesse momento, é feita a instalação da caixa d’água sobre um tablado de madeira elevado, a construção do banheiro e seus acessórios, e a construção da fossa sanitária e dos sistemas de distribuição de água.
Sobre o Memorial Chico Mendes
O Memorial Chico Mendes, fundado em 1996 pelo CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas), é uma organização sem fins lucrativos dedicada à preservação do legado do ativista ambiental Chico Mendes e à promoção de projetos sociais e ambientais na Amazônia. Através de diversas iniciativas, buscamos contribuir para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida das comunidades extrativistas.